O Grupo

Grupo de Cronologia (GC)

O termo "cronologia", no nome do grupo, refere-se à pesquisa sobre métodos de datação (de rochas, por exemplo) por meio da detecção de decaimentos radioativos; porém, o grupo também atua em diversos outros temas em que os elementos radioativos são usados como instrumento de investigação, como medidas da contaminação do ar por radônio e filhos, terapia de câncer por captura de nêutrons por boro (BNCT) e a termocronologia (determinação da história térmica de amostras geológicas, em especial para ajudar na prospecção de petróleo). São também feitas pesquisas básicas sobre os traços nucleares (as marcas que as partículas provenientes de decaimentos radioativos deixam nos materiais, principal indicador usado pelo grupo nas investigações), fluxo de nêutrons e taxa de fissão do urânio.

História do Grupo

O Grupo de Cronologia foi criado por César Lattes por volta de 1970. A idéia de Lattes era testar uma hipótese levantada pelo físico inglês Paul Dirac em 1937, segundo a qual as constantes universais como a carga do elétron, a constante de Planck, a velocidade da luz no vácuo e a constante gravitacional, não seriam totalmente constantes, mas variariam no tempo, especialmente no início da história pós-Big-Bang.

A idéia de Lattes era verificar se havia algum desvio entre a observação de alguns fenômenos relacionados à física nuclear feita por diferentes métodos. Isso poderia indicar que as constantes universais variavam de algum modo. O grupo passou a trabalhar com o método dos traços de fissão.

Para isso, era preciso melhorar primeiro os métodos de medida, ou seja, as determinações da taxa de decaimento do urânio-238 por fissão espontânea e as medidas de fluxo de nêutrons.

Os desvios ainda não foram observados mas, com o tempo, o grupo adquiriu expertise em medidas do traço de fissão. Passou, então, a explorar diversas possibilidades desse método, especialmente depois que foi adquirido o detector CR-39, no início dos anos 1980. Entre as novas áreas de pesquisa, estão a termocronologia, a dosimetria da contaminação de radônio radioativo no ar e a medida da taxa da reação 10B(n, alfa), ligada ao tratamento do câncer por BNCT. No fim dos anos 1990, começou a interação com a Petrobras para usar a termocronologia na prospecção de petróleo. Continuam, enquanto isso, as pesquisas básicas sobre medidas de fluxo de nêutrons, da taxa de decaimento do urânio-238 e sobre a influência da temperatura no annealing.